Entre a boca da noite e a madrugada, Milton Dias


Entre a boca da noite e a madrugada, muita cidade passou, muito caso eu aprendi, muitas pessoas ganhei, outras tantas eu perdi, vi gente de toda sorte, gozei encontros com a vida, sofri encontros com a morte.
Muita angustia foi calada, muita mágoa foi oculta, muito caminha andado, muito sapato acabou, muito custou aprender no grande livro do mundo.
Tanta surpresa encontrei nos olhos do mau vizinho,, tanta traição morava na mão que bondosa vinha, tanta pérfida intenção por trás da palavra amor, às vezes desinlusão trazia o nome do amigo, tanto fogo já pegou no meu embornal de sonho, tantya rosa ficou murcha, tanta mulher me queimou, tanto verso se apagou, tanta prece foi rezada na hora aflita da dor.
Tanto pôr-de-sol guardei, tanta noite não dormi, tanta insônia cultivei, madrigada apascentei, muita aurora atocaiei, muitas estórias ouvi, algumas delas contei, outras tantas escrevi.
Tudo, entre a boca da noite e a madrugada
Entre a boca da noite e a madrugada tudo aumenta – o amor, a paz, o sono, o sonho, o silencio, o ódio, o mistério, o medo, a população.

Biblioteca Viva

Em 1947 Érico Veríssimo começou a escrever a trilogia "O Tempo e o Vento", cuja publicação só termina em 1962. Recebe vários prêmios, como o Jabuti e o Pen Club. Em 1965 publica "O Senhor Embaixador", ambientado num hipotético país do Caribe que lembra Cuba. Em 1967 é a vez do "Prisioneiro", parábola sobre a intervenção do Estados Unidos no Vietnam. Em plena ditadura, lança "Incidente em Antares" (1971), crítica ao regime militar. Em 1973 sai o primeiro volume de "Solo de Clarineta", seu livro de memórias. Morre em 1975, quando terminava o segundo volume, publicado postumamente.

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