A Metamorfose, Franz Kafka


Era uma vez um homem igual a todos que acorda transformado em um inseto asqueroso. O ponto de partida desta fábula mais que sombria escrita por Franz Kafka (1883-1924) em 1912 tem a aparência daqueles pesadelos dos quais a gente morre de medo de nunca acordar. Entretanto, o estilo seco adotado pelo autor Tcheco, próximo ao de um relatório, afasta o leitor do universo quase seguro do fantástico. Em vez de enfatizar a anomalia, o modo como a escrita de Kafka normaliza o que parece extraordinário faz a estranheza do relato ser percebida como algo que pode acontecer a qualquer hora a qualquer um. Essa astúcia traz à tona a miséria trágica do cotidiano da vida em família, na qual os laços de dependência disfarçam o insuportável de cada um, em que a proximidade física quase esconde a incomunicabilidade. O notório sentimento de mal-estar que apelidamos de kafkiano, contudo, não está livre de passagens de mau humor absurdo, constrangedor. Por tudo isso, quando chega à última página, é difícil o leitor não se sentir feito uma barata tonta.

Biblioteca Viva

Em 1947 Érico Veríssimo começou a escrever a trilogia "O Tempo e o Vento", cuja publicação só termina em 1962. Recebe vários prêmios, como o Jabuti e o Pen Club. Em 1965 publica "O Senhor Embaixador", ambientado num hipotético país do Caribe que lembra Cuba. Em 1967 é a vez do "Prisioneiro", parábola sobre a intervenção do Estados Unidos no Vietnam. Em plena ditadura, lança "Incidente em Antares" (1971), crítica ao regime militar. Em 1973 sai o primeiro volume de "Solo de Clarineta", seu livro de memórias. Morre em 1975, quando terminava o segundo volume, publicado postumamente.

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