O Nome da Rosa, Umberto Eco


Em novembro de 1327, Guilherme de Baskerville, um frade franciscano inglês muito parecido com Sean Connery e com Sherlock Holmes, chega a um mosteiro italiano que contém a maior biblioteca do mundo cristão. É acompanhado pelo jovem Adso, que, por sua vez, é parecido com o dr. Watson e com Sancho Pança. Adso, anos mais tarde, narra a história.

Guilherme tem a missão complicada de permitir um encontro, no mosteiro, entre uma delegação do papa e o frade teólogo Michele de Cesena, para quem Cristo e seus apóstolos não tinham bens de espécie alguma, cabendo aos cristãos (a começar pela Igreja) parecer-se com eles. 

Essa proposta era francamente mal vista. No meio de um debate perigoso, em que as idéias custam excomungações e suplícios variados, eis que pipocam cadáveres de monges assassinados.

Fiquem de olho em Jorge de Burgos, o bibliotecário espanhol e cego, que seria muito parecido com nosso quase contemporâneo Jorge Luís Borges, se este, no fim de sua vida, tivesse se tornado dono da biblioteca de Babilônia.

Muitíssimos anos depois, Umberto Eco, um acadêmico italiano respeitado por seus sérios tratados de semiologia, estética e filosofia medieval, pensa, provavelmente, como Guilherme.

Ou seja, pensa que o mundo é povoado por signos que deveriam nos orientar, mas, de fato, nos desorientam; que a pretensão das verdades absolutas é irrisória e, sobretudo, que o conhecimento sem alegria é uma idiotice.

Dessa estranha coincidência entre o espírito de Guilherme e o de Eco nasce O Nome da Rosa, o romance moderno que conta a história da razão enlouquecida (de tanto se levar a sério) e a aventura do frade que saiu à procura do bom humor perdido.

Biblioteca Viva

Em 1947 Érico Veríssimo começou a escrever a trilogia "O Tempo e o Vento", cuja publicação só termina em 1962. Recebe vários prêmios, como o Jabuti e o Pen Club. Em 1965 publica "O Senhor Embaixador", ambientado num hipotético país do Caribe que lembra Cuba. Em 1967 é a vez do "Prisioneiro", parábola sobre a intervenção do Estados Unidos no Vietnam. Em plena ditadura, lança "Incidente em Antares" (1971), crítica ao regime militar. Em 1973 sai o primeiro volume de "Solo de Clarineta", seu livro de memórias. Morre em 1975, quando terminava o segundo volume, publicado postumamente.

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