Elogio da Loucura, Erasmo de Rotterdam


'Elogio da Loucura' insere-se, com precisão, no espírito de sua época. Escrito em Londres, em 1509, exigiu apenas sete dias para sua elaboração. Uma sátira, de conteúdo aparentemente brincalhão, sacudiu a Europa e trouxe para o autor crítica impiedosa de todos os que por ela se sentiram afligidos: "juristas minuciosos, filósofos escolásticos, nobres arrogantes, bispos luxuriosos, negociantes sórdidos e estúpidos", e outros.

Dona Estultícia, personagem central, na medida em que analisa cruamente a época, deixa claro valores novos, que se vão impondo e que seriam responsáveis por todas as transformações que caracterizam os Tempos Modernos. Ridicularizando os costumes, sutilmente, exorta a um representar que, atendido, desencadeia uma revolução.

O autor não se compromete. É a loucura de quem fala. É a loucura que sugere o império da razão; a reinterpretação do homem, colocando-o no centro do universo; o hedonismo e o naturalismo. Sugere, na medida em que ri da teocracia; condena o luxo da igreja; desmascara a hipocrisia dos que têm poder.

Uma obra, com tal riqueza de detalhes, somente poderia ser escrita por um cidadão do mundo, como fora Erasmo de Rotterdam. Embora frade agostiniano, foi um homem livre na acepção do termo. Inteligentemente, sem ferir as regras, obteve autorização para, em tarefas ou a estudos, circular pelos diferentes países da Europa cujas fronteiras sonhava inexistir um dia.

Tendo conhecido as agruras da pobreza e da bastardia, os rigores da vida monacal e a convivência com bispos e nobres, por esse "príncipe do humanismo", produzir no curto período em que foi obrigado a guardar o leito, uma obra que vem atravessando séculos, instigando a curiosidade intelectual de todos os que a ela têm acesso.

É visando, justamente ampliar a oportunidade a novos leitores, que reeditamos o 'Elogio da Loucura'.

Biblioteca Viva

Em 1947 Érico Veríssimo começou a escrever a trilogia "O Tempo e o Vento", cuja publicação só termina em 1962. Recebe vários prêmios, como o Jabuti e o Pen Club. Em 1965 publica "O Senhor Embaixador", ambientado num hipotético país do Caribe que lembra Cuba. Em 1967 é a vez do "Prisioneiro", parábola sobre a intervenção do Estados Unidos no Vietnam. Em plena ditadura, lança "Incidente em Antares" (1971), crítica ao regime militar. Em 1973 sai o primeiro volume de "Solo de Clarineta", seu livro de memórias. Morre em 1975, quando terminava o segundo volume, publicado postumamente.

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