As experiências que desejo relatar no frontispício desta obra pretendem reforçar a idéia subjacente em todos os capítulos, a saber, que a tortura, além de desumana, é o meio mais inadequado para levar-nos a descobrir a verdade e chegar a paz.
Não há ninguém na Terra que consiga descrever a dor de quem viu um ente querido desaparecer atrás das grades da cadeia, sem mesmo poder adivinhar o que lhe aconteceu. O “desaparecido” transforma-se numa sombra que ao escurecer-se vai encobrindo a última luminosidade da existência terrena.
O que mais me impressionou, ao longo dos anos de vigília contra a
tortura, foi porém o seguinte: como se degradam os torturadores mesmos.
Esse livro, por sua própria natureza, não pode dar resposta plena à
questão.
Advertia um general, aliás contrário a toda a tortura: quem uma vez pratica a ação, se transforma diante do efeito da desmoralização infringida. Quem repete a tortura quatro ou mais vezes se bestializa, sente prazer físico e psíquico tamanho que é capaz de torturar até as pessoas mais delicadas da própria família.
A imagem de Deus, estampada na pessoa humana, é sempre única. Só ela pode salvar e preservar a imagem do Brasil e do mundo.
Paulo Evaristo, CARDEAL ARNS
Arcebispo Metropolitano
de São Paulo
Advertia um general, aliás contrário a toda a tortura: quem uma vez pratica a ação, se transforma diante do efeito da desmoralização infringida. Quem repete a tortura quatro ou mais vezes se bestializa, sente prazer físico e psíquico tamanho que é capaz de torturar até as pessoas mais delicadas da própria família.
A imagem de Deus, estampada na pessoa humana, é sempre única. Só ela pode salvar e preservar a imagem do Brasil e do mundo.
Paulo Evaristo, CARDEAL ARNS
Arcebispo Metropolitano
de São Paulo

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