O Sol se põe em São paulo, Bernardo Carvalho

Num fim de noite melancólico no bairro da liberdade, a dona de um restaurante japonês aborda um cliente retardatário e pegunta: "O senhor é escritor?". A questão que não poderia ser mais inesperada, converterá o cliente em um narrador de uma história vertiginosa, que tem início no Japão da Segunda Guerra Mundial e se prolonga até o Brasil dos dias de hoje.
Assim começa O sol se põe em São Paulo, novo romance de Bernardo Carvalho. À primeira vista, o leitor está diante de um relato linear sobre um triângulo amoroso testemunhado por Setsuko, a dona do restaurante, nascida em Osaka: uma verdadeira dança da morte em que se enredam Michiyo, moça de boa família, Jokichi, filho de um industrial endinheirado, e Masukichi, um obscuro e terrível japonês.
No entanto, a história logo se complica, ou, antes, se desdobra. Uma trama gera outra, pois as revelações mais cabais parecem admitir versões concorrentes e todos os passos dos personagens parecem se multiplicar sem fim à vista, entrelaçando tempos e espaços que o leitor julgaria distintos - e que a prosa de ficção brasileira não costuma visitar.
Mas este não é mais um jogo de espelhos, mais um capricho pós-moderno. À medida que o romance vai se aproximando tortuosamente de seu centro secreto, a história de Setsuko se torna mais sórdida, mais cruel. O triângulo amoroso aos poucos cede lugar a outro enredo, feito de desfaçatez, arrogância e degradação, com raízes profundas na história do Japão - e na do Brasil também.

Biblioteca Viva

Em 1947 Érico Veríssimo começou a escrever a trilogia "O Tempo e o Vento", cuja publicação só termina em 1962. Recebe vários prêmios, como o Jabuti e o Pen Club. Em 1965 publica "O Senhor Embaixador", ambientado num hipotético país do Caribe que lembra Cuba. Em 1967 é a vez do "Prisioneiro", parábola sobre a intervenção do Estados Unidos no Vietnam. Em plena ditadura, lança "Incidente em Antares" (1971), crítica ao regime militar. Em 1973 sai o primeiro volume de "Solo de Clarineta", seu livro de memórias. Morre em 1975, quando terminava o segundo volume, publicado postumamente.

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